sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

MEMÓRIA: O Rancho das Cantarinhas e os poetas de Nisa

Para uma cançãozinha que oferecemos ao Rancho Típico das Cantarinhas de Nisa
 Ligeiro arroio brotou
Um dia à flor da terra.
Vales, planícies, serras,
montes, depois, galgou...
Ai! O rio pequenino
Ai! O meu rio menino,
Por quantas terras passou

O meu rio menino
Cresceu sem destino:
Caminho do mar
- já não é menino –
Lá vem sem parar...

Virgens, velhinhas, ladrões,
Santos, diabos, vilões,
Párias, ciganos, meninos,
Homens sisusdos, sem tino...
Ai! Os que viu e amou!
Por quantas terras passou!

O meu rio menino
Cresceu sem destino:
Caminho do mar
- já não tem destino
Lá vem sem parar ...

Ao mar o meu rio chegou!...
E algas, peixes, e conchas,
E barcos, mastros, e monstros,
Todos, a todos amou!
Ai! O meu rio pequenino
Por quantas terras passou!
Ai! Os que viu e amou!

O meu rio menino
Cresceu sem destino:
Caminho do mar
- já não é menino –
Lá vem sem parar...

Se o mundo se desse todo
Como o meu rio pequenino,
Cresceriam sem destino
Até brancas flores no lodo!

O meu rio menino
Cresceu sem destino:
Caminho do mar
- já não é menino –
Lá vem sem parar...
António Bento - in “Correio de Nisa” – nº4 – “ª série – 23/1/1965